O silêncio de quem desiste


 Você já ouviu o silêncio de quem desiste? Não é o silêncio da paz,

nem o do descanso. É um silêncio pesado, carregado de palavras

nunca ditas e de passos jamais dados. Como profissional que atuou

no resgate e na emergência, ouvi esse silêncio ecoar em quartos de

hospital e em cenas de acidentes. Contudo, o lugar onde ele é mais

ensurdecedor é na vida de quem ainda está de pé.

Lembro-me de um atendimento. Um homem saudável, sem traumas

físicos aparentes, mas com o olhar de quem já havia partido há

anos. Ele estava ali, cercado por uma vida segura, um emprego

estável e uma rotina impecável. Ao conversarmos, porém, a verdade

surgiu: ele tinha pavor. Não da morte — a morte era algo distante,

um conceito abstrato. Ele tinha pavor de viver.

Confessou-me que passava os dias calculando como evitar o erro,

como não ser julgado, como manter a redoma de vidro intacta.

Estava tão ocupado em não morrer que se esqueceu de estar vivo.

Era um mestre da existência biológica, mas um indigente da vida

existencial. Naquele momento, percebi que a maior tragédia não é o

coração que para de bater, mas o coração que bate apenas por

hábito.

Existir é uma condição biológica. Viver é uma decisão filosófica.

Você está apenas ocupando espaço ou realmente habitando sua

vida?

Sua tarefa hoje é o confronto: identifique uma situação onde você

está “lutando para não morrer”  evitando o conflito, fugindo do

risco ou silenciando sua verdade apenas para manter a paz. Agora,

responda com honestidade ácida: o que você está protegendo é sua

vida ou apenas seu conforto?

Dê um passo hoje que não tenha garantia de sucesso. Sinta o

desconforto. É ali que a vida começa.

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