Oportunidade não é desafio




Há um erro sutil, quase elegante, na forma como nomeamos as coisas. Chamamos de desafio aquilo que, muitas vezes, é apenas uma oportunidade vestida de esforço para parecer nobre. Talvez porque a palavra desafio soe mais digna, mais heroica, mais aceitável aos olhos de quem observa de fora.


Desafio, no sentido mais honesto da palavra, é subir e descer o pico de uma montanha. É enfrentar uma maratona longa, onde cada passo cobra do corpo e da mente algo que ainda não se sabe se existe. O desafio não seduz, ele exige. Não promete atalhos, apenas a chance de continuar. Há risco, desgaste e a possibilidade concreta de falhar. E mesmo assim, segue sendo desafio.


Oportunidade é outra matéria. Ela não testa resistência física nem coragem épica. Ela testa discernimento. Costuma chegar em silêncio, quase sempre confortável, oferecendo caminhos planos quando ainda nem se terminou a subida. Não pede superação, pede escolha. E escolhas, ao contrário dos desafios, não nos empurram, nos revelam.


O problema começa quando se chama oportunidade de desafio. Nesse instante, a escolha se disfarça de bravura. Ao dar um nome heroico ao que é apenas conveniente, tira-se o peso da responsabilidade e transfere-se a decisão para o discurso. Assim, evita-se o incômodo de assumir que não foi preciso vencer nada, apenas aceitar.


Desafios se enfrentam. Oportunidades se aceitam ou se recusam. Confundir os dois é caminhar sem saber se se está treinando resistência ou apenas encurtando o percurso.


Ainda assim, nem sempre estão em lados opostos. Há momentos raros em que desafio e oportunidade caminham juntos, quando a escolha exige esforço e a travessia transforma. Em outros, seguem separados, e insistir em uni-los é perder o sentido do caminho antes mesmo de chegar ao destino.


Talvez a maturidade esteja em reconhecer quando é hora de apertar os dentes e subir a montanha, e quando é hora de parar, olhar com calma e decidir se aquele atalho leva mesmo para onde se quer ir. Porque saber subir é importante. Mas saber nomear o que se enfrenta é essencial.


No fim, é disso que se trata:

oportunidade não é desafio.

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