A ilusão do apoio infinito
No final das contas, é você contra você mesmo. Contra as suas próprias histórias, as suas dores antigas, suas lamúrias, suas dificuldades.
E a verdade é que, por mais que doa ouvir isso, nem todo mundo vai ter disposição pra carregar o peso que você não resolveu dentro de si. Não é falta de amor. Não é falta de consideração. É só a vida sendo do jeito que ela é.
Ninguém tem obrigação de emprestar os ouvidos pra ouvir o seu caos todos os dias. Cada pessoa já está lutando com o próprio silêncio, com os próprios problemas, com as próprias batalhas que ninguém vê.
E aí acontece o que muita gente não quer aceitar. Na primeira oportunidade, quem prometeu que estaria com você, vai embora.
Sabe por quê? Porque ninguém é obrigado a ficar onde não quer. E ninguém sustenta por muito tempo um lugar onde só existe peso, cobrança e ausência de mudança.
E não é que as pessoas desistam de você. Muitas vezes elas só se afastam do que não conseguem mais acompanhar.
Porque a vida não para pra esperar ninguém se curar por dentro. Ela segue. E enquanto você fica preso no que te feriu, o mundo continua exigindo presença, decisão, atitude.
E chega uma hora em que você percebe algo desconfortável. A solidão nem sempre é falta de gente. Às vezes é excesso de pensamentos, excesso de passado, excesso de coisas que você insiste em reviver.
E o maior engano é acreditar que alguém vai resolver aquilo que você evita encarar.
Porque no fim, o encontro mais difícil não é com os outros. É com você mesmo.
Com aquilo que você sente, mas não nomeia.
Com aquilo que você sabe, mas não muda.
Com aquilo que você tenta esconder, mas continua te seguindo.
E talvez o ponto de virada comece aí. Quando você para de esperar que alguém fique pra te salvar, e começa a entender que a única pessoa que realmente precisa ficar… é você com você mesmo.

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