Morrer Antes da Morte
Às vezes, ou na maioria das vezes, acreditamos que alguém só morreu quando o coração parou de bater, quando o corpo foi colocado dentro de uma urna, quando a terra cobriu o caixão e, na lápide, ficaram gravadas duas datas: a do nascimento e a da morte.
Mas existe um grande engano nisso.
Há pessoas que foram enterradas aos 80 anos, mas morreram aos 20.
E talvez você esteja me chamando de louco agora. Afinal, como alguém pode morrer enquanto continua respirando?
Mas existem mortes que não acontecem de uma vez. Existem mortes silenciosas, lentas, que não fazem o coração parar.
Você começa a morrer quando abandona seus sonhos.
Quando desiste dos seus projetos porque alguém disse que você não conseguiria.
Quando deixa de fazer aquilo que ama para viver a vida que os outros escolheram para você.
Quando permite que o medo decida por você.
Quando se acostuma a ser manipulado, controlado e diminuído.
Quando perde a capacidade de escolher por si mesmo.
Quando perde o amor-próprio e passa a acreditar que não merece mais nada.
E talvez exista uma diferença ainda maior que quase ninguém percebe: há pessoas que vivem e há pessoas que apenas existem.
E existe uma enorme lacuna entre essas duas vertentes.
Existir é acordar todos os dias, cumprir obrigações, trabalhar, pagar contas, comer, dormir e repetir tudo novamente.
Viver é ter sonhos. É fazer escolhas. É amar. É criar. É se permitir recomeçar. É ter coragem para mudar de caminho quando perceber que está seguindo na direção errada.
Existir é deixar a vida acontecer.
Viver é participar dela.
O mais assustador é que ninguém precisa perceber quando você começa a morrer por dentro.
Você continua trabalhando, sorrindo, conversando, cumprindo suas obrigações… e, para quem olha de fora, está tudo normal.
Mas talvez, por dentro, você já tenha desistido de si mesmo.
O corpo envelhece, mas nem sempre é a idade que nos mata primeiro.
Às vezes, é a desistência.
Às vezes, é o medo.
Às vezes, é passar tanto tempo tentando agradar os outros que você já não sabe mais quem é quando está sozinho.
E talvez a pergunta mais importante não seja:
“Quando eu vou morrer?”
Mas:
“Eu estou realmente vivendo ou apenas existindo?”
Porque talvez o maior desperdício da vida não seja morrer cedo.
Talvez seja chegar ao fim dela e descobrir que você passou a maior parte do tempo apenas existindo.

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